Monday, 19 March 2007

ISABELLA



O Fantasporto.

O festival de cinema do Porto balança, para a alegria de alguns nos quais me incluo, entre o centro comercial e feira de artesanato, o restaurante da moda e o "rei dos galos de amarante", tasco onde se recomenda a cabidela ou a língua estufada já agora. Esta forma ingénua de organizar um festival dá-lhe um encanto especial e permite-nos pescar das profundezas do mar (desta vez da China) pérolas que de outra forma ficariam inacessíveis aos olhos lusos.

Falo de Isabella, um filme de Hong Kong que conta a história de um polícia corrupto e promíscuo que tenta "engatar" uma adolescente que resulta ser a sua filha, fruto de uma relação antiga e esquecida. O pano de fundo é Macau dias antes de sua entrega à China, em tudo igual à Lisboa dos bairros, degradada, decadente, encantadora.

A história é uma metáfora da busca de identidade de um povo ignorado pela potência administrante (Portugal), abandonado à sorte de viver de expedientes tipo máfia, sem sensação de pertença ou sentido de futuro. Invisível.

A bela banda sonora, fado da Mariza incluído, ganhou o urso de prata do festival de Berlim.

Tem Humor, Poesia e um encanto Oriental que faz com que tenha valido a pena 400 anos de espera.

Termino por hoje com um grande beijo de até já ao Tio Zé. Em breve estaremos todos juntos à volta das conversas e dos néctares preparados pelo Né!

3 comments:

Ricardo "CNM" Silva said...

Faço meu, o teu desejo expresso no último parágrafo. Assim seja!

Ana said...
This comment has been removed by the author.
Ana said...

Isabella recordou-me um outro filme, também ele chinês, em meados da década de 90. Retratava uma família disfuncional cuja única partilha era o espaço da casa. O ambiente indicava tratar-se de um casamento que encobria a homossexualidade do pai. Primava a falta de afecto, o silêncio e a total dessincronização das três vidas - pai, mãe e filho. Não me recordo do nome do filme, nem do realizador e muito menos dos actores. Aliás, tudo o que me fica dos filmes são imagens, pequenas sensações e impressões. Raramente faço a sua dissecagem ou catalogação. Sou péssima em conversas de cinema. Fico sempre no papel de ouvinte, num esforço de localizar as ditas imagens e impressões, nos inúmeros nomes e cenas que normalmente são disparados nessas conversas.
Isabella trouxe-me instantaneamente ao de cima este filme, há muito arrumado na minha mente, também pela cena de incesto desenrolada na casa de prostituição onde o filho trabalhava. O pai nunca se apercebeu (o não assumir a sua homossexualidade levava-o a não fitar os seus amantes). A indiferença no olhar do filho era a mais preocupante, a perca de todo o sentido. Atirou-se da janela do prédio impessoal onde viviam. Não tinha cor nem som.
Nu e cru.
Coisas que ficam sem nos apercebermos.
Ainda bem.

Qual é a ideia base?

Foram ao cinema e gostaram do filme (ou não), aquele concerto imperdível, a peça de teatro que não presta, uma saida à noite, umas férias fantásticas (ou menos), um restaurante recomendado, uma conversa de familia, um livro que devem ler sem falta, uma bosta dum problema no trabalho, um desabafo, tudo, nada... enfim...
Eis algumas ideias do que podemos escrever aqui, para que todos os Calvões se mantenham informados, sobre tudo o que rodeia a nossa família e sobre tudo aquilo que fazemos e somos.

Vá lá, não custa nada e pelo contrário ganhamos muito em nos conhecer ainda melhor e por saber um pouco dos gostos / desgostos / problemas / dilemas de cada um
Eu, pela minha parte, vou tentar escrever aqui qualquer coisa pelo menos uma vez por semana..a ver se dinamizamos esta ideia...

TUDO DEPENDE DE NÓS!!

Calvões - Sempre um passo à frente!