
Pela primeira vez, desde há já 2 meses e meio, o meu pai foi dormir a casa. Ainda não foi a de Chaves (lá esperamos chegar um dia...) mas já foi na sua 2ª casa, fora de todos os olhares clinicos, do cheiro a soro e medicações, dos gemidos e lamúrias de outros doentes...enfim longe de tudo o que é um ambiente hospitalar e a sua carga psicológica.
E que diferença fazem as coisas pequenas do nosso quotidiano (às quais nós nem sequer damos valor pois têmo-las como garantidas) na vida de quem já (ou melhor, ainda...) não as vive como antes...
O prazer de comandar uma televisão, de ver o que queremos e não o que nos pôem à frente(mesmo quando não estamos a ver nada e simplesmente mudamos por mudar) ; de comer quando nos apetece (e o que nos apetece) ; de se deixar embalar e dormir uma soneca retemperadora sem sermos interrompidos; de ir dormir apenas quando estamos cansados e já "passamos pelas brasas" algumas vezes (e não só porque chegou a hora do "recolher obrigatório") ; de falar sobre Chaves, ou vilela, ou sobre aquele familiar e aquela pessoa conhecida e ter alguem do outro lado que nos compreende e responde; de ir tomar um "pingo" ao café da esquina, como se as rotinas ainda não tivessem sido quebradas ; de olhar pela janela e ver sitios familiares e paisagens conhecidas, de tudo e de nada só porque estamos em familia...
Foi só o primeiro fim de semana... mas todos saimos dele d'alguma forma mais ricos.
O mais curioso de tudo isto, é que o meu pai, após esta sua 1ª saída, já encarou a sua vida em alcoitão de uma maneira distinta. Ontem, aquando do seu regresso à clinica (e apesar dos meus medos pela carga psicológica inerente) disse-me:
"Bom... aqui vou eu para mais uma semana de trabalho como tu, para poder disfrutar depois do meu merecido fim de semana"... ;)
Inevitavelmente, as coisas nunca mais serão como dantes... mas os sorrisos (ainda que sem a cor da despreocupação total, ou sem o granulado das várias etapas que ainda todos temos pela frente) já vieram sincera e naturalmente.


É que todos acreditamos que esta fotografia, um dia, voltará a poder ser tirada com todas as cores a que tem direito! o Tio Zé, mais do que ninguém, MERECE-o!
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